REDAÇÃO - O nome de Neymar Júnior voltou a monopolizar as atenções nos bastidores da Seleção Brasileira. Incluído na lista final de 26 convocados pelo técnico Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo FIFA 2026, o camisa 10 desembarca na Granja Comary, no próximo dia 27 de maio, sob um misto de esperança e extrema cautela médica. O jogador de 34 anos enfrenta mais um obstáculo físico na carreira, gerando um debate intenso sobre suas reais condições de jogo para a estreia do Brasil contra o Marrocos, no dia 13 de junho.
O Alerta Vermelho: A lesão na panturrilha
A nova preocupação da comissão técnica acendeu após o último jogo de Neymar pelo Santos FC, contra o Coritiba, pelo Campeonato Brasileiro. O atacante sentiu dores na perna direita e foi substituído aos 21 minutos do segundo tempo.
O diagnóstico apontou um edema de grau 2 na panturrilha direita (um inchaço muscular decorrente de estiramento ou sobrecarga). A situação gerou um descompasso de narrativas nos bastidores:
- A versão do Santos: O clube paulista classificou o edema como leve e tratável a curto prazo.
- O temor da CBF: Nos bastidores, a equipe médica de Carlo Ancelotti recebeu relatórios indicando um quadro moderado. A preocupação é de que a recuperação exija mais tempo do que o estimado inicialmente, variando de duas a quatro semanas.
Por conta desse cenário, a participação do principal astro da geração nos amistosos preparatórios contra Panamá (31 de maio) e Egito (6 de junho) está praticamente descartada. O foco total da equipe de fisioterapia é a transição física para colocá-lo em campo na estreia do Mundial.
Um ciclo marcado pela instabilidade
A desconfiança de parte da torcida e da crítica esportiva não se deve apenas ao problema atual na panturrilha, mas ao histórico recente do jogador. Neymar passou por uma verdadeira via-crúcis física desde o início do ciclo preparatório para este Mundial.
Estatísticas apontam que o atacante passou cerca de 65% do período entre janeiro de 2023 e a convocação atual afastado por lesões. Foram 11 problemas físicos computados no período, divididos entre passagens pelo Paris Saint-Germain, Al-Hilal e Santos. O momento mais crítico ocorreu em outubro de 2023, quando sofreu a ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) e do menisco do joelho, ficando quase um ano longe dos gramados.
| Período no Ciclo | Clube | Principal Problema Físico | Tempo Afastado |
| Primeiro Semestre/2023 | PSG | Cirurgia no tornozelo | 131 dias |
| Fim de 2023 - Meados de 2024 | Al-Hilal | Rompimento do Ligamento Cruzado (LCA) | 340 dias |
| Fim de 2024 - 2026 | Al-Hilal / Santos | Sequência de lesões musculares na coxa e panturrilha | Mais de 200 dias (somados) |
Como Neymar deve chegar à Copa?
Diferente das edições de 2014, 2018 e 2022, Neymar não chega à Copa do Mundo de 2026 como o motor físico inquestionável e vertical da Seleção, mas sim como um elemento de peso técnico, cadência e liderança.
Antes do desconforto na panturrilha, o atacante vinha conseguindo uma sequência mais regular de jogos pelo Santos, o que motivou a confiança de Ancelotti. O treinador italiano deixou claro que o jogador não precisava passar por "testes", dado o seu tamanho e capacidade de decidir partidas em lances isolados.
"Fizemos a avaliação do Neymar ao longo do ano. Ele jogou, melhorou sua condição física, vai ser um jogador importante na Copa do Mundo. Tem o mesmo papel e a mesma possibilidade dos outros 25, a mesma responsabilidade. É um jogador experiente" - declarou Carlo Ancelotti logo após o anúncio da lista.
O plano traçado pela comissão técnica para o torneio nos Estados Unidos, México e Canadá projeta um Neymar focado em poupar energia. Fisicamente, é improvável que ele aguente os 90 minutos de todas as partidas em alta intensidade. O cenário mais realista desenha o camisa 10 iniciando a fase de grupos de maneira dosada - possivelmente jogando com minutagem controlada no início — para estar no ápice técnico nas fases eliminatórias do torneio.
Para Neymar, esta Copa representa a "última dança" com a "Amarelinha". Resta saber se o seu corpo responderá ao tratamento intensivo a tempo de transformar o sofrimento clínico em consagração histórica.




