George Pittar surpreende e vence Gabriel Medina na final em Margaret River

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REDAÇÃO

 A etapa de Margaret River, na Austrália Ocidental, encerrou-se com condições clássicas e performances que redefiniram o cenário da World Surf League (WSL) para o restante da temporada. Em um dia de ondas sólidas e vento terral em Main Break, a competição não apenas coroou campeões, mas também serviu como o "juiz final" para o brutal corte do meio da temporada.

Em uma final eletrizante e marcada por reviravoltas, o australiano George Pittar conquistou sua primeira vitória no Championship Tour da World Surf League (WSL). Neste domingo (26), Pittar superou o tricampeão mundial Gabriel Medina nas ondas potentes de Main Break, garantindo o título do Western Australia Margaret River Pro 2026.

Apesar do vice-campeonato, o resultado foi estratégico para Medina: com os pontos somados nesta segunda etapa da temporada, o brasileiro assumiu a liderança isolada do ranking mundial, voltando a vestir a lycra amarela de número 1 do mundo.


A Bateria Decisiva

O confronto final começou com Medina tomando a iniciativa, registrando notas 4.67 e 3.50 nos primeiros minutos. Pittar, demonstrando conhecimento local e paciência, respondeu com uma onda de 6.17 para assumir a ponta.

O momento crucial da disputa ocorreu quando Medina, em um erro raro de posicionamento, remou em uma onda e não conseguiu entrar, perdendo a prioridade. Pittar aproveitou a oportunidade imediata em uma direita sólida, executando manobras críticas que lhe renderam um 9.00 — a maior nota de todo o dia de finais.

Com um somatório de 15.17 contra 12.46 do brasileiro, Pittar administrou o tempo nos minutos finais, quando as séries ficaram mais escassas, para selar sua vitória histórica em casa.


Campanha de Gigante

A trajetória de George Pittar até o topo do pódio foi descrita por especialistas como uma "limpa" na elite brasileira. Antes de vencer Medina, o australiano eliminou outros três campeões mundiais e nomes de peso do Brasil:

  • Filipe Toledo (Round 2)
  • Yago Dora (Quartas de final)
  • Italo Ferreira (Semifinal)

"Eu não consigo acreditar. Olhei para as semifinais ontem e era eu cercado de brasileiros, pensei que precisava fazer algo especial. Vencer aqui diante dessa torcida é um sonho absoluto", declarou Pittar emocionado após a cerimônia de premiação.


A Ascensão Feminina: Lakey Peterson Brilha

A final feminina foi um duelo de estilos e momentos distintos. Luana Silva, que vinha de uma campanha irretocável após eliminar a favorita Caitlin Simmers na semifinal, começou a decisão com confiança. A brasileira chegou a liderar a bateria após encontrar boas paredes de cerca de 1,5 metro, mantendo a ponta até a reta final do confronto.

No entanto, a calma de Peterson foi o diferencial. Precisando de uma nota para virar, a veterana soube aguardar a série certa em meio ao vento lateral que dificultava a leitura do mar. Nos cinco minutos decisivos, Lakey conectou uma sequência de manobras potentes que lhe garantiram a nota 12.23, superando os 11.83 de Luana.



O Peso do Corte: Alegria e Despedidas

Margaret River é tradicionalmente a etapa mais tensa do calendário, pois define quem continua na elite e quem precisará disputar o Challenger Series para retornar em 2027.

Status do CortePrincipais Nomes
GarantidosGabriel Medina, John John Florence, Italo Ferreira, Caroline Marks.
Abaixo da LinhaNomes veteranos e promessas que não atingiram a pontuação mínima necessária.

Brasil no Topo do Ranking

A performance consistente da "Tempestade Brasileira" em Margaret River coloca o país em uma posição dominante no início da temporada 2026. Além da liderança de Medina, o Brasil agora ocupa quatro das cinco primeiras posições do ranking masculino.

No feminino, o dia também foi de destaque para as cores verde e amarela, com Luana Silva alcançando o vice-campeonato após ser superada pela veterana norte-americana Lakey Peterson em uma final decidida nos últimos segundos.


Próximas Ondas

O circo da WSL não sai da Austrália, mas muda de costa. A elite agora viaja para Queensland para a terceira etapa da perna australiana.

  • Local: Snapper Rocks, Gold Coast, Austrália.
  • Janela de Espera: 2 a 12 de maio de 2026.
  • O que esperar: Diferente das ondas pesadas e abertas de Margaret River, Snapper Rocks é famosa por suas direitas infinitas e perfeitas (point break). É um palco onde o surfe de linha e as manobras de borda são altamente recompensados.

EtapaEventoLocalData
1Rip Curl Pro Bells BeachVictoria, Austrália1 – 11 de abril
2Margaret River ProAustrália Ocidental17 – 27 de abril
3Bonsoy Gold Coast ProSnapper Rocks, Austrália2 – 12 de maio
4Surf City El Salvador ProPunta Roca, El Salvador28 de maio – 7 de junho
5VIVO Rio ProSaquarema, Brasil12 – 20 de junho
6J-Bay OpenJeffreys Bay, África do Sul10 – 20 de julho
7Lexus Tahiti ProTeahupo'o, Taiti8 – 18 de agosto
8Corona Fiji ProCloudbreak, Fiji25 de ago – 4 de set
9Lexus Trestles ProCalifórnia, EUA11 – 20 de setembro
10Surf Abu Dhabi ProAbu Dhabi, Emirados Árabes14 – 18 de outubro
11MEO Rip Curl Pro PortugalPeniche, Portugal22 de out – 1 de nov
12Lexus Pipe Pro (Final)Oahu, Havaí8 – 20 de dezembr